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Artista Artesão

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Não caro leitor, o título deste post não está escrito errado. É que muito me incomoda quando leio comentários na tentativa de conceituar e diferenciar arte e artesanato – artista e artesão. Infelizmente, em pleno século XXI, quando precisamos interagir entre as partes, entender e praticar a intersetorialidade da cultura há ainda os que permanecem na contramão.

Afirmar que artista plástico é uma nomenclatura dada por status é, no mínimo, ausentar-se de informações da própria história. O artesão e o artesanato foi considerado como arte medíocre, num cenário político, econômico, social e numa linha do tempo que jamais poderemos comparar e, muito menos, inseri-lo na contemporaneidade.

O artista e o artesão são criativos por excelência e guardam em si, uma das mais belas missões: retratarem a cultura, os hábitos, os costumes e os desejos da onde vivem. O artista e o artesão são agentes de mudanças, recriam o passado, trabalham no presente com olhares de futuro. Constroem uma poética tendo como base suas expressões genuínas, partindo de um mergulho nas raízes para gestar o novo.

E sem esquecer Mário de Andrade (1938), “todo o artista tem de ser ao mesmo tempo artesão. Artista que não seja bom artesão, não que não possa ser artista: simplesmente, ele não é artista bom. E desde que vá se tornando verdadeiramente artista, é porque concomitantemente está se tornando artesão.”

Há diferentes técnicas e materiais? Sem dúvida. E aí se encontra a beleza e a estética. Contudo, inexiste diferença essencial dos seres que trabalham. Talvez seja e esteja tão somente a nomenclatura dada (ou imposta) ou ainda, nos olhares daqueles que os vêem.

Prefiro trabalhar e pesquisar as formas, os contornos, as cores, o “design” daquilo que os unem e não, procurar o que os diferenciam. E se for para aplicar algum tipo de conceito, prefiro adotar o que um amigo me disse: “artesão é um artista com tesão”. Não é espetacular ?

Pois é….ao in-ter-pre-tar-mos (coisa que falta nos dias de hoje) no lugar de conceituarmos, de rotularmos, os produtos desses seres iluminados, eles ganham contornos especiais, florescem verdadeiras obras de arte (ou artesanal, como o leitor queira) e se abrem para novas possibilidades no universo criativo.

Se Mário de Andrade se encontrava contemporâneo, o que dizer de Walter Gropius (1919) em seu manifesto: “Desejemos, inventemos, criemos juntos (grifo meu) a nova construção do futuro, que enfeixará tudo numa única forma: arquitetura, escultura e pintura que, feita por milhões de mãos de artesãos (grifo meu) se alcançará um dia aos céus, como símbolo cristalino de uma nova fé vindoura.”

Fernanda Bellinaso

 

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