Jana

Janartesã: a história de superação e dedicação ao artesanato

JanaSou a Jana, da Janartesã, empresa do ramo artesanal.

Gaúcha, nascida em Gravataí, completei 39 anos agora em 2014 e tenho 2 filhas, a Samara e a Ingridh.

Costumo dizer que o artesanato está no meu DNA, desde sempre estive no meio. Lembro-me de minha mãe indo até a casa da senhora que costurava camisas e também fazia, durante a noite, recortes de apliques para roupinhas de crianças. Eu deveria ter uns 3 anos mais ou menos.

Minha mãe sempre trabalhou em casa, fazia almofadas para uma loja de decoração de interiores em Porto Alegre, mas também fazia outras coisas, vendia produtos por catálogos. Com ela aprendi o começo do crochê, tricô, chocolates, pintura em tecido e vidro, flores de seda…

Aos 10 anos eu já pegava sapatos, em um postinho próximo de casa, para fazer os detalhes a mão. Também fui estudar na Fundação Bradesco, precisei fazer um teste para passar e, se não tivesse passado, teria ficado sem estudar pois na época a maioria das escolas eram somente até a quarta série.

Como falei, fui vendo e aprendendo com minha mãe muitas coisas. Lembro de um dos cursinhos de pintura em tecido que eu ia junto. A professora era D. Helena, uma senhorinha linda por dentro e por fora, e eu ficava em torno da mesa vendo ela ensinar.

Em 1997, ganhei uma bolsa de segundo grau em magistério participei com alguns colegas da Junior Achiviement, projeto que ensina jovens desde a concepção até a finalização de projeto de uma empresa, do desenvolvimento de ursinhos de tecido feitos em fuxicos com foco na sustentabilidade, já que o enchimento deles era com sobras de malharias que desfiamos para enchê-los.  Esse momento mostrou a mim que, definitivamente, ser dona do meu negócio era o que tinha que ser. Desde criança já tinha essa vontade de fazer algo meu, na adolescência também.

Em 1998, com minha mãe doente, deixei a bolsa de magistério que havia ganho, sou formada em Técnico Auxiliar Administrativo pela Fundação Bradesco de minha cidade. Nesse ano fiquei grávida da minha primeira filha, a Samara, e a minha mãe foi internada quatro vezes no hospital. Eu ajudava a cuidar do meu irmão mais novo, na época com 6 para 7 anos, e também da casa deles, fazendo comida, lavando a roupa, além de ajudar com outras coisas. Nesse ano aprendi a costurar à máquina, demorei um pouquinho até aprender, apesar da minha mãe sempre costurar, eu tinha dificuldades.

Aprendi muitas coisas assistindo programas de TV: pintura em sabonete, peças para quartos de crianças, entre outros. Fiz casinha porta-trecos, protetores, jogos de lençol para minha bebê, também vendi peças. Quando a minha mãe saiu pela última vez do hospital (com a graça de Deus ficou curada), sempre tínhamos encomendas de panos de copa, joguinhos de cozinha e outras peças. Trabalhei até próximo de ganhar minha filha.

Em 2000 engravidei da minha segunda filha e após ela nascer foi preciso um tempinho parada, pois elas têm apenas 1 ano e 10 meses de diferença de idade, mas eu continuava estudando, me aperfeiçoando.

Entre 2005 e 2006 fui convidada para ser oficineira no projeto Escola Aberta na escola da minha filha (onde eu também estudei até a 4ª serie), dava aulas de diversas técnicas:  eco artesanato, pintura em MDF, pintura em tecido, découpage, bijuterias, E.V.A, depois dei aulas de pinturas em tecido em lojas de amigas. Em 2006 participei do workshop de pintura gestual com a artista plástica LuzAngela, da Colômbia, em Porto Alegre, esse foi um presente incrível que ganhei de meu marido como presente de aniversário de casamento. Foi maravilhoso.

Em dezembro de 2007 mudamos para uma cidade do interior, ficamos lá até fevereiro de 2011. Em Portão, conheci muitos anjos, mas também passamos por muitas coisas, o ano de 2008 foi extremamente complicado: perdi um tio em fevereiro, meu sogro em março, em maio meu marido ficou desempregado, em julho ele se acidentou de moto, morávamos de aluguel lá, meu marido ficou desempregado até outubro daquele ano.

Eu com as filhas pequenas, comecei a ir três vezes por semana a pé ao centro da cidade para vender artesanatos,  era uma caminhada de cerca de 45 minutos para ir e 45 minutos para voltar, eu estava afiliada aos artesãos da cidade e então ia para as casinhas dos artesanatos levando sacolas com peças prontas, lanches para as filhas, cadernos para elas fazerem tema, peças para fazer.

Lá conheci a Lu, que gostou muito das peças com bordados em pedrarias e que então falou com a Nani para eu ir dar aulas na loja dela. Foi uma benção pois precisava muito naquele momento. Dei aulas então de bordados em pedraria e em chinelos, além de pintura em MDF. Depois ajudei a Nani cuidando da loja quando ela passou por momentos complicados pessoais também.

Em 2009 vendi o meu imóvel para fixar residência definitiva no interior. Já estava começando uma clientela, estávamos em todos os eventos no centro da cidade, sempre marcando presença com os artesanatos, e além disso, havia finais de semana em que se eu não podia ir e meu marido ia em meu lugar. Com isso íamos ficando conhecidos aos poucos.

Porém, não recebi o pagamento pelo imóvel e precisei entrar na justiça para recuperar, mas não conseguimos e voltamos para Gravataí em 2011, um novo recomeço…

Em 2010, comecei a vender pela internet, iniciei a venda de ursos em tecido e outras peças via rede. Pensei muito antes de entrar no mundo virtual para vendas.

Em 2011, registrei meu CNPJ como MEI, mas desde os 18 anos já tinha a carteira de artesã profissional pela FGTAS aqui no Rio Grande do Sul (tenho técnicas como: crochê, tricô, bijuterias, papietagem trançado em fita, modelagem em tecido bichos e bonecas, pinturas em tecido, vidro, madeira, sabonete, couro e plástico). Nesse ano também coloquei a marca Janartesã para registro junto ao INPI, o processo ainda está tramitando porque demora mesmo.

Meu ateliê, praticamente tudo é reaproveitamento, peças que ganhei já usados, balcão, armários e mesas.

Meu ateliê, praticamente tudo é reaproveitamento, peças que ganhei já usados, balcão, armários e mesas.

Hoje tenho um pequeno espaço de madeira bem simples para trabalhar. Minha casa ainda não foi arrumada desde que voltamos, ela ficou muito estragada, as pessoas que estavam aqui deixaram muita coisa destruída. Já teve algumas vezes em que pensei em deixar tudo de lado, as provações no caminho não são fáceis, muitas pessoas ainda vêem o artesanato como uma brincadeira, um passatempo, um hobby, e não valorizam e não vêem que é uma profissão. O caminho é longo mesmo, é preciso persistência e paciência. Ainda acordo cada dia pensando e lutando, persistindo e insistindo no caminho.

Cada passo dado é um momento de vitória, tem épocas em que as vendas estão paradas, tem outras que as vendas estão melhores, sempre vai haver pessoas que destratam artesãos, mas também sempre vão existir as que valorizam o trabalho artesanal.

Nesse tempo de estrada que tenho, aprendi quando criança a arte com as mãos, depois fui aprimorando, estudando, assistindo palestras, participando de capacitações no Sebrae, lendo muito, praticando, desenvolvendo minhas peças.

Aqui as peças mais recentes que desenvolvi, tema Soldadinho de Chumbo

Aqui as peças mais recentes que desenvolvi, tema Soldadinho de Chumbo

Nessa jornada, aprendi que o mais importante é que primeiro nós temos que nos valorizar, se você quer mesmo ser do ramo artesanal, se acredita de verdade, se quer que as pessoas vejam como sua profissão, primeiro acredite, depois estude muito, se aprimore nas artes e também em outras áreas, aprenda de verdade a formar preços, peça consultoria, não tenha vergonha de dizer que não sabe algo, que não entende, assista palestras sobre empreendedorismo, sobre venda, sobre marketing, sobre formação de preços, sobre atendimento.

Todo dia é dia de aprender, todo dia é dia de sonhar, mas acima de tudo todo dia é dia de acreditar.

 

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