Art Di Cris

O artesanato a salvou da depressão

Conheça a história de superação de Cristiane dos Santos, que viu no artesanato uma forma de lidar com momentos tão difíceis, como foi quando seu querido pai teve câncer.

Art Di CrisSe um dia alguém me dissesse que iria ser artesã e fazer trabalhos manuais que encantariam as pessoas, com certeza eu diria para ela que estava louca. Jamais iria imaginar que teria o dom de construir algo com as minhas mãos.

Por outro lado, buscando na história da minha vida eu sempre tive contato com o artesanato, isso através da minha avó.  Adorava ir passar dias na casa dela, assim que chegavam as férias eu me mudava de “mala e cuia” para casa da vovó. No quarto dela tinham caixas e mais caixas de materiais de artesanato das mais variadas técnicas e sempre pensava se ela precisava daquilo tudo mesmo.  Achava tudo uma “bagunça organizada”, mas isso não passava de alguns pensamentos rápidos, o que importava pra mim era poder desfrutar dos momentos deliciosos que passava lá.

Sempre no final do ano, a minha avó promovia um bazar na própria casa dela. Juntava varias peças da produção do ano, colocava na estante da sala com os preços e todas as visitas que chegavam olhavam os artesanatos e poderia comprar. Como a minha avó era muito conhecida no bairro e querida, ela conseguia vender muita coisa.

E eu fui crescendo nesse ambiente de artes, coisas gostosas e boas lembranças.

Noivos Andrea e Leandro - Art Di CrisCresci, me formei em Ciências da Computação e hoje divido a minha rotina de trabalho como Analista de Sistemas e a minha vida de Artesã.

Sou proprietária da empresa Art Di Cris e desenvolvo projetos em porcelana fria (biscuit).

Mas, onde tudo isso começou? Como me tornei artesã?

Na verdade eu descobri esse dom em um momento de muita dor e tristeza.  Há alguns anos o meu pai foi diagnosticado com câncer e foi o momento em que o meu “mundo caiu”. Filha única até os 10 anos e a queridinha do papai, vi passar diante dos meus olhos a possibilidade de ficar sem ele. Ver o amor da minha vida partir por causa de uma doença tão cruel e implacável.  Logo em seguida a notícia, foram dias muito difíceis pra mim, tinha várias crises de choro ao longo do dia, larguei a pós graduação e me vi começando a entrar em buraco negro, quase entrei em depressão.

Então um dia em minhas orações eu pedi a Deus que me desse forças para apoiar e cuidar do meu pai naquele momento tão difícil. Eu não podia deixar ele perceber o meu sofrimento, pois queria passar confiança, força e otimismo pra ele. Então surgiu a ideia  de procurar algum curso em que eu pudesse preencher a minha mente e tirar o foco daquele sofrimento, eu sempre gostei de estudar, aprender.

Pensei em fazer artesanato e lembrei da minha avó. Queria escolher algo que me desse prazer. Então achei uma loja aqui em Salvador que tinha aulas de Biscuit, me matriculei e fui fazer em uma bela manhã de sábado. Foi algo surreal! Quando acabou a aula eu sabia que era exatamente aquilo que queria fazer o resto da minha vida. Saí da loja com todo o material pra começar a brincadeira.

Bolo Dino e Fred Art Di CrisE assim foi a o longo do tratamento do meu pai, cuidava dele e fazia os meus trabalhos de biscuit. Aquilo tirava o foco do meu sofrimento, me reportava a um outro lugar onde tudo era somente alegria, eu conseguia me desconectar de mim mesma enquanto estava modelando aquela massinha e não tinha mais tempo de ficar focada em mim mesma, no meu sofrimento.

Cheguei a fazer cursos de outras técnicas, mas acabei me dedicando a porcelana fria.

Então a medida que ia fazendo foram surgindo pedidos e as encomendas foram aumentando. Em seguida abri uma loja virtual e um blog onde ia divulgando os meus trabalhos. Paralelo a isso eu cuidava do meu pai. Até que três anos depois meu pai faleceu. E eu encontrei naquele “hobby” forças para superar toda aquela tristeza e todas as situações que vem acompanhada de um momento de luto.

Um ano depois marquei o meu casamento. Foi uma cerimônia simples, sem festa, mas extremamente linda. E mais uma vez o artesanato entrou em cena: paguei a maioria das coisas (decoração, aluguel de vestido, bolo, lembranças ) com o dinheiro das minhas encomendas.

999000_427936267305651_571254707_nMe mudei para uma casa maior onde poderia ter um espaço separado somente para fazer as minhas artes. Vi também  que o meu hobby poderia ser um fonte de renda extra  e a partir disso comecei a me posicionar como uma profissional do artesanato. Fui buscar cursos sobre empreendedorismo voltado para artesã,  fui estudar como funciona a contabilidade de um negócio artesanal, busquei aprender a organizar o meu tempo para me tornar mais produtiva e hoje sigo nessa caminhada constante de aprendizado todos os dias.

Qual a minha dica para quem quer viver de artesanato? Foco, organização e determinação.

Nada é fácil, é preciso buscar conhecimento SEMPRE, nunca sabemos tudo e sempre haverá coisas novas para aprender. O mais importante é se colocar na posição de quem quer aprender, estar aberto as mudanças, aprender a se desapegar das coisas que não agregam mais valor e não contribuem para o seu objetivo.

Eu ainda tenho uma rotina onde preciso me dividir entre o meu trabalho CLT e o meu artesanato, ou seja, todos os dias eu tenho uma jornada dupla de trabalho, por isso eu preciso ser duas vezes mais organizada, duas vezes mais focada naquilo que faço. Mas todas as dificuldades do dia-a-dia de quem resolve ter um empreendimento artesanal é compensada quando o cliente ama um produto feito por você e quando imprimimos amor no nosso trabalho manual.

Cada peça que fazemos vai um pouco do que somos, do que acreditamos e muito amor. E isso é o diferencial de cada um que é captado quando o cliente recebe uma encomenda.

Art-Di-Cris-Santa-Tereziha-40cmEspero que o meu depoimento possa inspirar um pouco o coração de quem irá lê-lo.

Loja:artdicris.elo7.com.br

Fan Page:https://www.facebook.com/ArtDiCris

Blog: http://artdicris.blogspot.com/

Contato: artdicris@gmail.com

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